MUDEI DE CASA! Agora estou aqui
Citação
“Não temos o direito de ser infelizes com nossas vidas. Se nos parece que não estamos satisfeitos com a vida, deveríamos encarar isso como uma razão para ficarmos insatisfeitos connosco mesmos.”(Tolstoi)
E é essa insatisfação que nos faz andar para a frente e mudar o rumo da vida. Sem esse sentimento estagnaríamos ficando presos a “muita coisa cheia de nada”.
Muitas vezes vivemos situações que realmente não nos preenchem, e fazemo-lo sem sabermos porquê, continuamos presos a elas, como se disso dependesse a nossa vida. Isto é um bocadinho estranho, não é? Como é que algo que não nos faz feliz pode ser tão indispensável? Muitas vezes, a nossa necessidade de segurança leva-nos a mantermo-nos comprometidos a relações, empregos, etc., que assumimos anteriormente mas que, por algum motivo, afinal não são aquilo que queríamos, não são aquilo que com que tínhamos sonhado, já não são compatíveis connosco… Então, há que mudar!
Pare um pouco para reflectir, ouça o seu coração, pois poderá estar na hora de mudar, de sair dessa “prisão sem grades”. É claro que isso poderá implicar o fim de alguma coisa, o deixar para trás algo, e isso, todos nós sabemos o quanto pode ser doloroso, mas como sabe, também poderá ser enormemente (esta palavra existe?! Enormemente…) libertador! Portanto, se durante esta fase viver o fim de alguma situação, da mais insignificante à mais significativa, lembre-se que caminha para algo melhor. Só assim se chega à Realização! Com toda a sua coragem e audácia siga em frente, pois é para frente que o caminho flúi!
Vera Xavier
Citação
“Princesa quando as meninas disserem que não és linda
Porque não segues a moda és mais bela ainda
Quando por não teres marcas ninguém te convida
Preocupa-te em deixar outras marcas na vida
Mulheres a sério não sobem na vida deitadas
Deitam barreiras abaixo de cabeças levantadas
Cairás varias vezes como as folhas do Outono
Depois a Primavera traz-te um sorriso novo”
filme de acção
A minha avó paterna (90 anos) há poucas semanas caiu durante a noite e partiu uma costela, e a minha tia pediu à minha irmã para ir tomar conta dela.
A parte gira é que no outro dia a minha irmã tirou um dia de *folga* e foi sair com as amigas à noite, no dia seguinte perguntou à minha avó se se tinha ido deitado cedo e a resposta foi inesperada: Não, disse ela, esteve a falar com os amigos até às três da manhã. Se já era estranho ela não se ter deitado mais cedo, mais estranho era o facto de ter ficado a falar com os amigos dela, mas quais amigos? Pois se não que os amigos da minha avó são os seguranças que, diz ela, a minha Tia São mandou guardarem a Senhora Dona Guiomar. Reza a história que eles ficam todas as noites em frente ao castelo vigiando a pequena e bela princesa fechada na torre mais alta do castelo que antes de se ir deitar vai à janela e faz-lhes um sinal para que saibam que está tudo bem.
A Dona Guiomar não me parece chéché de todo mas esta história é esquisita e, ainda mais esquisito é o facto de até poder ser verdade. Bem sei como é a minha Tia em relação a estas coisas e dinheiro para ela não é problema se bem que acho ser dinheiro mal desperdiçado tendo em conta que os maiores males, por vezes, estão dentro da nossa casa. Mas que esta história me valeu umas valentes gargalhadas, ah isso não tenham dúvidas: já consegui imaginar a minha avó como uma princesa resguardada no alto do castelo e como se fosse uma espécie de agente 007.
sásá
Já não fico triste, preocupada ou chateada quando ela se esquece de mim ou quando simplesmente não falamos uma com a outra. Agora já não me importo e já consigo admitir que, de facto, ela se esqueceu de mim. Talvez tenhamos seguido caminhos mais ou menos opostos mas que em certo ponto, as férias do Verão, se irão interceptar. Acredito que seja isto e, até fico feliz por não termos desaparecido de vez.
amigos
Tenho conhecido pessoas fantásticas, pessoas com quem já falava e pensava que conhecia mas, de facto, muita coisa me escapava. Ultimamente têm sido essas pessoas que me fazem sentir orgulhosa e por muito diferentes que sejam são as pessoas mais normais e com melhor coração que alguma vez conheci. Algumas delas só me apetece abraçar e dizer “tu podes contar comigo, para tudo” e outras em que quero que me abracem e me façam tremer os ossos.
Sabem aqueles amigos em que até nas férias queremos estar juntos? Pois é, é exactamente isto: se pudesse pegava na mochila e ala que lá vamos nós por Portugal fora.
Nunca fui muito de sonhar, ou pelo menos, não de partilhar os meus sonhos com os amigos mas agora já o consigo fazer, sem qualquer receio o que é fantástico porque posso mostrar um bocadinho mais de mim às outras pessoas (é a tarefa mais difícil para mim)
“corridas”
Estive a tarde toda a ver roupas na LaRedoute e apesar de precisar de roupa não quero comprar nada porque sei que me vou sentir mal e nada vai cair da maneira que quero. Liguei a música no máximo e comecei por ir para a bicicleta elíptica, tentei fazer um quilometro, custou-me pela vida, mas consegui fazê-lo em 12 minutos.
No dia a seguir voltei a arrastar-me para a elíptica (sempre acompanhada de música), porque estou cansada de me ver assim, e consegui fazer um quilometro em 10 minutos (boa!) parei para fazer alguns exercícios e depois lá voltei, desta vez consegui fazer um quilometro em menos de 8 minutos.
A meio do segundo quilometro as pernas doíam-me mas já faltava tão pouco e eu insisti, a certa altura já não sentia as dores mas começava a ficar zonza, quando dei conta já tinha conseguido!!! Foi fantástico voltar a ter os mesmos resultados, a respiração estava péssima mas tendo em conta o meu estado não foi nada de mais. Por fim, deitei-me no tapete de yoga e tentei fazer algumas posições de pilates que me ensinaram, quando estava naquela fase de introspecção começa a tocar a who you are da Jessie J e eu perdi as forças e desatei a chorar.
Foi tão fantástico ter conseguido fazer tudo isto naquela tarde mas os últimos exercícios fizeram-me ver que não quero ser assim e que preciso de mudar as minhas atitudes quanto às pessoas, preciso mesmo de mostrar quem eu sou, do que sou feita e nas coisas que realmente acredito, já chega de máscaras.
No passado sábado sonhei, coisa rara em mim, e surpreendentemente este sonho não me tem saído da cabeça e parece que sonho acordada com isso.
Dei comigo a sonhar que estava na gare à espera do comboio e o sol queimava-me as pernas e eu sorria, toda a minha cara era um sorriso e eu parecia mais bonita do que realmente sou. Estava com as minhas duas grandes amigas, neste preciso momento, a S. e a A., as malas às costas pesavam mas eu sorria, cantarolava, tirava fotografias e deixava-me fotografar (milagre!). As coisas eram simples, o sol era quentinho e brilhante e o nosso sorriso parecia não esconder tristezas. Era simples, era assim e pronto.
E eu continuo a sonhar acordada..
anniversaire
Não gosto de fazer anos, nem gosto que me lembrem que faço anos, acho um bocado parvo e acredito que devíamos festejá-lo todos os dias, porque crescemos e vivemos todos os dias. Eu faço anos exactamente uma semana depois da minha mãe e todos os anos ela faz questão de me lembrar disso e organiza-me festas surpresas, compra bolo e canta-me os parabéns e dá-me sempre presentes.
Este ano no dia 12 de Março, dois dias antes dela fazer anos, o meu pai e irmão voltaram para o Luxemburgo e ela andou a chorá-los a semana toda. Faz-lhe sempre confusão eles irem-se embora e ela fica sempre muito abalada, para mais 2012 não tem sido um ano fácil mas tem sido um ano cheio de vitórias.
Este ano temos falado muito do traje, da faculdade, da “menina que está muito crescida e já é uma mulherzinha” e disto e daquilo. No sábado estávamos juntas e ela, através do facebook, lembrou-se que eu faço anos. Foi a coisa mais esquisita da minha vida, ela gritou “aaaaaaaaaaaaah, não acredito, que vergonha. acreditas que me esqueci que fazias anos a próxima semana? que vergonha, uma mãe… uma filha..” e durante o resto do dia repetiu isto, vezes e vezes sem conta. A verdade é que quando ela disse isso eu sorri-lhe e perguntei-lhe “e depois? qual é o mal de te teres esquecido?” mas a verdade é que só me apetecia chorar.
Eu queria chorar não por ela se ter esquecido do meu aniversário mas porque eu sei que ela não anda nada bem, não é por acaso que uma coisa destas lhe acontece. Ela está cansada do trabalho dela, está cansada de dormir junto às almofadas, está cansada de se andar a contorcer para que tudo esteja minimamente no sítio certo, ela está cansada de não ser feliz e é isto que me faz chorar porque eu queria dar-lhe tudo a que ela tem direito mas não consigo.
Se eu pudesse dava-te a minha felicidade de quando te vejo sorrir, quando acordas de manhã e estás a cantar, quando vejo os teus olhos brilhar porque estamos a falar da faculdade e de quando dizes “a minha menina está uma mulherzinha”. Eu dava-te tudo e dava-te o coração, só para que fosses feliz e tivesses o terraço com flores que tanto queres.
Não faz mal mã, não faz mal..
pó
Faz-me impressão, medo e confusão. Eu de manhã fui à loja e vi-o, parecia bem, tinha dores mas estava bem e falava e mexia-se. De repente morreu. Ele ainda está vivo porque de manhã eu vi-o, ele falava e disse-me Olá e ainda sentia as dores e queixava-se e ria-se e mexia-se. Ele não está morto mas dizem que está ali estendido no chão à espera do médico. Dizem que está morto e que já não se mexe, nem fala, nem se queixa, nem se ri. Mas ele está vivo porque hoje de manhã ainda estava vivo e me disse Olá.
Como é que tão de repente deixamos de ser vida, de ser movimento, de ser som e cor, como é que de repente deixamos de existir?